O evangelho de hoje contém duas partes. Na primeira Jesus confere ao apóstolo Pedro uma investidura pastoral preeminente, e na segunda pré-anuncia-lhe o seu destino de mártir. Está subjacente neste evangelho a tradição neotestamentária de uma aparição do Senhor ressuscitado a Simão Pedro, e vemos também a afinidade com a passagem do primado segundo Mateus.
Na tripla pergunta de Cristo: “Simão, amas-me?”, e na correspondente resposta do apostolo com a sua tripla e humilde: “Sim Senhor, tu sabes que te amo”, há por parte de Jesus uma reabilitação de Pedro na sua condição de discípulo depois da sua tripla negação na noite da paixão. É a sua oportunidade e o seu desquite. A cada resposta de Pedro, Jesus acrescenta: apascenta as minhas ovelhas. É a sua tripla investidura pastoral, que consuma a reabilitação com tal posto de confiança. Encontramos, pois, aqui um testemunho escrito em finais do séc. I em que aparece o apreço comunitário sobre a missão e autoridade pastoral de Pedro na Igreja.
O ministério de Pedro – e do seu sucessor o Papa, Bispo de Roma – é o primado do sérvio e da caridade na Igreja de Cristo. Carisma que não se lhe concede para prestígio próprio nem se baseia na sua capacidade pessoal e extraordinária, pois é patente a sua debilidade humana. Tudo é graça, dom e presença invisível de Jesus pela for;Ca do seu Espírito.
Jesus examina Pedro pelo amor, e há de reconhecer que conseguiu uma distinção que, noutra ocasião, merecerá uma reprovação. E examina0o sobre o amor porque a sua tarefa como guia das ovelhas do bom pastor, que é Cristo, terá de exercer-se à base do amor ao rebanho, segundo aquelas palavras de Santo Ambrósio: “Cristo deixou-nos Pedro como vigário do seu amor”.
Já na última ceia Jesus dissera ao apostolo: “Simão, Simão! Olha que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo. Mas eu pedi por ti para que a tua fé não desfaleça. E tu, quando te recuperares, confirma os teus irmãos”. Pedro é, efetivamente, o primeiro entre os seus irmãos. Mas a autoridade dentro da comunidade cristã é serviço, a exemplo de Cristo: “O primeiro entre vós deve ser o servidor de todos, e o que manda como o que serve”.
A morte de Pedro que Jesus lhe vaticina em enigma: “quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te conduzirá aonde não queres”, será a prova definitiva da sinceridade da sua tripla profissão de amor a Jesus e da sua fidelidade à missão recebida.
Mas já antes Pedro teve ocasião de testemunhar o seu amor e a sua fé em Cristo e de salvaguardar a comunhão eclesial ao serviço da missão. Por exemplo, chegado o momento da prova, perante o conselho dos judeus e desafiando a sua ordem, Pedro proclama a morte e ressurreição de Jesus, porque “é preciso obedecer antes a Deus que aos homens”. Igualmente, no Concílio de Jerusalém soube manter a abertura missionária da Igreja aos pagãos e conservar a união dentro da comunidade.
Também hoje é dia de pedir ao Pai que haja depressa um só rebanho sob um só pastor para que o mundo inteiro creia que Jesus Cristo é o enviado pelo Pai.
Padre Pacheco,
Comunidade Canção Nova.
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